{"id":1437,"date":"2009-11-12T13:53:53","date_gmt":"2009-11-12T11:53:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.funiber.org\/pt\/?p=1437"},"modified":"2009-11-12T13:53:53","modified_gmt":"2009-11-12T11:53:53","slug":"o-brasil-esta-entre-os-10-paises-que-mais-desperdicam-comida-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funiber.blog\/pt\/meio-ambiente\/2009\/11\/12\/o-brasil-esta-entre-os-10-paises-que-mais-desperdicam-comida-no-mundo","title":{"rendered":"O Brasil est\u00e1 entre os 10 pa\u00edses que mais desperdi\u00e7am comida no mundo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Fonte: Reportagem de D\u00e9bora Carvalho para a <\/strong><\/em><strong>Revista Desafios<\/strong><em><strong>. Ed. Set.\/Out. 2009 (retirado de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php\" target=\"_blank\">IHU Online<\/a>)<br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-158\" src=\"http:\/\/blogs.funiber.org\/meio-ambiente\/files\/2009\/11\/comida3.jpg\" alt=\"comida3\" width=\"245\" height=\"194\" \/><\/strong><\/em>O investimento em tecnologia de ponta nas \u00faltimas d\u00e9cadas colocou o Brasil entre os pa\u00edses mais competitivos do agroneg\u00f3cio no mercado internacional, mas n\u00e3o foi suficiente para acabar com um problema b\u00e1sico: o desperd\u00edcio de alimentos ao longo da cadeia produtiva.<\/p>\n<p><!--more-->Com a crise econ\u00f4mica internacional, a estimativa da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) \u00e9 que, at\u00e9 o final de 2009, a Am\u00e9rica Latina deve contabilizar 53 milh\u00f5es de famintos. Ao mesmo tempo, os pa\u00edses da regi\u00e3o desperdi\u00e7am grandes volumes de alimentos, que seriam suficientes para alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o carente. Para a FAO, a redu\u00e7\u00e3o das perdas \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para o aumento da oferta de comida. As causas primordiais desse preju\u00edzo s\u00e3o maus h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o e o gerenciamento inadequado, desde o plantio at\u00e9 a chegada do produto \u00e0 mesa do consumidor.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 entre os 10 pa\u00edses que mais desperdi\u00e7am comida no mundo. Cerca de 35% de toda a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola v\u00e3o para o lixo. Isso significa que mais de 10 milh\u00f5es de toneladas de alimentos poderiam estar na mesa dos 54 milh\u00f5es de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. Segundo dados do Servi\u00e7o Social do Com\u00e9rcio (Sesc), R$ 12 bilh\u00f5es em alimentos s\u00e3o jogados fora diariamente, uma quantidade suficiente para garantir caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar para 39 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O descuido percebido no processo produtivo se repete na casa das pessoas. De acordo com o Instituto Akatu, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental dedicada a promover o consumo consciente, uma fam\u00edlia brasileira desperdi\u00e7a, em m\u00e9dia, 20% dos alimentos que compra no per\u00edodo de uma semana. Em valores, isso representa US$ 1 bilh\u00e3o, dinheiro suficiente para alimentar 500 mil fam\u00edlias. Al\u00e9m das pessoas que poderiam ser alimentadas com o que vai para o lixo, desperdi\u00e7ar significa preju\u00edzo financeiro. Levantamento da Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de S\u00e3o Paulo mostra que todos os alimentos n\u00e3o aproveitados ao longo da cadeia produtiva representam 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, um rombo de R$ 17,25 bilh\u00f5es de reais no faturamento do setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em 2005, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) analisou os \u00edndices de perdas do plantio \u00e0 pr\u00e9-colheita dos principais gr\u00e3os cultivados no pa\u00eds, entre 1996 e 2002, tais como arroz, feij\u00e3o, milho, soja e trigo. Essa pesquisa aponta que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimava perdas de gr\u00e3os em cerca de 10% da produ\u00e7\u00e3o, o que correspondia a 9,8 milh\u00f5es de toneladas, considerando n\u00fameros da safra 2000\/2001.<\/p>\n<p>O governo promete para 2010 um novo estudo do panorama do desperd\u00edcio na lavoura, o que vai ajudar na formula\u00e7\u00e3o de alternativas para resolver o problema. &#8220;J\u00e1 havia um contrato com uma universidade federal para come\u00e7ar o estudo no ano passado, mas o projeto foi postergado por problemas contratuais&#8221;, explica o superintendente de Armazenagem e Movimenta\u00e7\u00e3o de Estoques da Conab, Milton Libardon.<\/p>\n<p>Segundo ele, o governo disp\u00f5e de um or\u00e7amento de R$ 500 mil para come\u00e7ar o trabalho e est\u00e1 negociando parcerias com 15 universidades em todo o Brasil para uma pesquisa de perdas, que deve ser iniciada em 2010.<\/p>\n<p>O superintendente da Conab ressalta a necessidade de conhecer o problema para combat\u00ea-lo. &#8220;As perdas existem, mas estamos usando \u00edndices estrangeiros. E o desperd\u00edcio maior acontece na hora da colheita. Caminhando na ro\u00e7a, \u00e9 vis\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o perdida&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Uma alternativa apontada pelo superintendente da Conab &#8211; muito comum nos pa\u00edses desenvolvidos &#8211; \u00e9 o financiamento de armaz\u00e9ns nas pr\u00f3prias fazendas. Isso reduziria a manipula\u00e7\u00e3o do produto, que passaria a ser transportado apenas uma vez para a ind\u00fastria de beneficiamento ou para o varejo. &#8220;O problema \u00e9 que isso \u00e9 muito caro&#8221;, afirma Libardoni. Hoje, \u00e9 preciso levar a produ\u00e7\u00e3o do campo para a armazenagem e da\u00ed para o processamento.<\/p>\n<p>A falta de qualifica\u00e7\u00e3o e tecnifica\u00e7\u00e3o no campo foi uma realidade apontada pela pesquisa do IBGE, que avaliou as perdas agr\u00edcolas. Segundo o estudo, o preju\u00edzo come\u00e7a muito antes da perda f\u00edsica, relacionada ao produto que fica pelo caminho antes da comercializa\u00e7\u00e3o. No plantio, por exemplo, foi verificado que o uso de sementes de baixa qualidade ou a escolha de variedades n\u00e3o recomendadas para as condi\u00e7\u00f5es de clima da regi\u00e3o e a falta de preparo correto do solo podem representar perdas nas lavouras antes e depois do momento de colher os produtos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontaram, inclusive, que \u00e9 na fase de colheita que ocorrem as maiores perdas e os motivos s\u00e3o diversos. Um exemplo \u00e9 a falta de regula\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o adequadas das colheitadeiras ou equ\u00edvocos na identifica\u00e7\u00e3o do grau de matura\u00e7\u00e3o do produto. A partir dessa pesquisa, \u00e9 poss\u00edvel observar que quest\u00f5es colocadas como desafios \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o desse desperd\u00edcio ainda hoje s\u00e3o citadas como entraves a serem resolvidos. &#8220;Um problema tamb\u00e9m seria treinar o pessoal dos armaz\u00e9ns e os operadores de colheitadeiras para reduzir preju\u00edzos&#8221;, sugere Libardoni.<\/p>\n<p>As dificuldades se repetem na p\u00f3s-colheita. Falta infraestrutura na rede de armazenagem e no transporte da produ\u00e7\u00e3o brasileira. Nessa fase, os estragos podem ocorrer tanto do ponto de vista f\u00edsico, como da qualidade do produto. Os pesquisadores do IBGE identificaram que os danos mais expressivos se d\u00e3o nas commodities, com perdas ao longo do transporte at\u00e9 a chegada aos portos. Segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura, em 2008, o Brasil arrecadou US$ 71,9 bilh\u00f5es com as exporta\u00e7\u00f5es de produtos agropecu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para o consultor em Log\u00edstica e Infraestrutura da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), Luiz Ant\u00f4nio Fayet, os debates sobre o desperd\u00edcio revelam a ponta de um iceberg, formado pelos fatores que minam a competitividade do agroneg\u00f3cio brasileiro. Ele explica que as pessoas se impressionam ao ver os gr\u00e3os \u00e0 beira das estradas, ca\u00eddos dos caminh\u00f5es, mas isso seria insignificante se comparado \u00e0s perdas financeiras no carregamento de estoques. &#8220;N\u00e3o existe perda zero, o preju\u00edzo f\u00edsico tem uma varia\u00e7\u00e3o de cerca de 5%. Mas o custo e os problemas, gerados pela falta de infraestrutura, acarretam preju\u00edzos muito maiores&#8217;, afirma Fayet.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, a estimativa \u00e9 de que 67% das cargas brasileiras sejam deslocadas pelo modal rodovi\u00e1rio, o menos vantajoso para longas dist\u00e2ncias. Conforme estudo de viabilidade econ\u00f4mica dos transportes de cargas, o modal rodovi\u00e1rio \u00e9 o mais adequado para as dist\u00e2ncias inferiores a 300 km, enquanto o ferrovi\u00e1rio o \u00e9 para dist\u00e2ncias entre 300 km e 500 km; e o fluvial para dist\u00e2ncias acima de 500 km.<\/p>\n<p>Esse entrave se agravou ainda mais com a mudan\u00e7a na geografia de produ\u00e7\u00e3o que passou das regi\u00f5es Sul e Sudeste para o Centro-Norte do pa\u00eds. Um exemplo \u00e9 o valor pago pelo frete em rela\u00e7\u00e3o ao que o agricultor recebe pelo produto. Segundo Fayet, em 2007, um produtor de soja do munic\u00edpio de Sorriso, Mato Grosso, recebia R$ 23 pela saca e gastava R$ 12 para lev\u00e1-la at\u00e9 o porto, onde embarcaria a carga para o mercado internacional. Ou seja, o gasto com o escoamento representava mais de 50% do valor recebido pelo produtor. &#8220;Al\u00e9m do gr\u00e3o que \u00e9 desperdi\u00e7ado, o Brasil fica impedido de crescer e de se tornar ainda mais competitivo&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, governo, iniciativa privada, universidades e entidades ligadas ao agroneg\u00f3cio se juntaram para trabalhar contra o desperd\u00edcio. H\u00e1 seis anos s\u00e3o organizados concursos regionais e estaduais para premiar os agricultores que apresentam os menores \u00edndices de perdas nas lavouras at\u00e9 a colheita. O extensionista do Instituto Paranaense de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater-PR), Luiz Vicentini, explica que o objetivo \u00e9 estimular produtores e operadores a realizarem com mais cuidado a tarefa da colheita. A meta \u00e9 chegar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dos n\u00edveis de perdas aceit\u00e1veis para cada regi\u00e3o, no caso da soja, em m\u00e9dia uma saca por hectare.<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o dos resultados \u00e9 feita por t\u00e9cnicos da Emater e acad\u00eamicos da Universidade Estadual de Maring\u00e1, que percorrem as lavouras antes e depois da colheita, contabilizando e medindo o que foi desperdi\u00e7ado. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio, o ganhador perdeu menos de 5 quilos por hectare. &#8220;Mais de 30 pr\u00eamios, como carros, motocicletas e m\u00e1quinas agr\u00edcolas, s\u00e3o um est\u00edmulo para as pessoas cuidarem melhor, ajustarem as m\u00e1quinas, reduzindo os preju\u00edzos&#8221;, diz Vicentini.<\/p>\n<p>Ele explica que a iniciativa come\u00e7ou em 1995, quando os organizadores da Festa da Colheita da Soja &#8211; tradicional no estado &#8211; perceberam que, al\u00e9m da comemora\u00e7\u00e3o, poderiam mobilizar os produtores. &#8220;\u00c9 importante pensar nisso, porque desperdi\u00e7ar significa o lucro l\u00edquido do agricultor que vai embora. E a competi\u00e7\u00e3o tem promovido uma mudan\u00e7a de cultura tamb\u00e9m nos mais de 200 colhedores que trabalham nas fazendas&#8221;, ressalta o t\u00e9cnico. Ele lembra ainda que o concurso paranaense \u00e9 um exemplo que j\u00e1 atraiu t\u00e9cnicos de outros estados produtores, principalmente do Centro-Oeste, para conhecer e levar a ideia a outros lugares.<\/p>\n<p>Mas o caminho do desperd\u00edcio n\u00e3o se limita ao percurso da colheita at\u00e9 o transporte. Quando se fala em frutas e hortali\u00e7as, produtos mais perec\u00edveis, as perdas s\u00e3o ainda maiores e ultrapassam os limites do campo, chegando ao varejo e \u00e0s cozinhas brasileiras. Um estudo da FAO, de 2004, revela que o Brasil est\u00e1 entre os 10 pa\u00edses que mais jogam comida no lixo, com perda m\u00e9dia de 35% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A Embrapa Agroind\u00fastria de Alimentos realizou uma pesquisa focada nesse tipo de produtos e mostrou que o brasileiro joga fora mais alimentos do que, efetivamente, leva \u00e0 mesa. Nas 10 principais capitais do pa\u00eds, o consumo anual de vegetais \u00e9 de 35 quilos por habitante. No entanto, o desperd\u00edcio chega a 37 quilos por habitante\/ano.<\/p>\n<p>Do total de desperd\u00edcio no pa\u00eds, 10% ocorrem durante a colheita; 50% no manuseio e transporte dos alimentos; 30% nas centrais de abastecimento; e os \u00faltimos 10% ficam dilu\u00eddos entre supermercados e consumidores. Segundo o pesquisador da Embrapa, Ant\u00f4nio Gomes, o fim desse problema tem vantagens em diferentes aspectos.<\/p>\n<p>&#8220;Se o Brasil reduzisse as perdas, poderia oferecer mais produtos para o mercado interno, barateando os pre\u00e7os, e tamb\u00e9m exportar mais, sem a necessidade de investimentos adicionais na abertura de novas fronteiras agr\u00edcolas&#8221;, argumenta Gomes. Ele afirma que o \u00edndice de perdas \u00e9 maior do que se consegue calcular, basta observar a quantidade de lixo org\u00e2nico gerado nas centrais de abastecimento das grandes capitais.<\/p>\n<p>De acordo com um levantamento do governo de S\u00e3o Paulo, o volume de perdas da Companhia de Entrepostos e Armaz\u00e9ns Gerais de S\u00e3o Paulo (Ceagesp), o maior mercado da Am\u00e9rica Latina, chega a 1% de tudo o que \u00e9 vendido em um dia, ou seja, mais de 100 toneladas di\u00e1rias no lixo.<\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa explica que o problema come\u00e7a no campo, mas culmina no varejo. Colheita incorreta, transporte inadequado, embalo dos produtos em caixas de madeira s\u00e3o exemplos de pr\u00e1ticas que resultam em uma realidade preocupante: muitos produtos que saem do campo para a cidade nem chegam a ser comercializados, porque se perdem no caminho. Isso significa que o custo para produzir aquele alimento foi totalmente perdido. &#8220;Muitas frutas, como laranja, abacaxi, s\u00e3o transportadas a granel em caminh\u00f5es, que v\u00e3o sacudindo na estrada e causando inj\u00farias nos vegetais que nem chegam \u00e0s prateleiras&#8221;.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Gomes lembra que n\u00e3o existe uma cadeia de frio para distribuir esse tipo de produto. Ele argumenta que, em um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais como o Brasil e com clima tropical intenso durante a maior parte do ano, seria mais adequado que frutas, legumes e verduras sa\u00edssem das lavouras direto para o resfriamento. A temperatura precisaria ser mantida em baixos n\u00edveis durante o transporte e o per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o no varejo, o que n\u00e3o acontece no Brasil.<\/p>\n<p>Outro problema apontado pelo pesquisador \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o dos consumidores. N\u00e3o se trata apenas de saber aproveitar melhor os produtos na hora de cozinhar, mas sim da necessidade de cuidados tamb\u00e9m no momento da compra. &#8220;\u00c9 preciso educar o consumidor. Se na hora de escolher o quiabo, voc\u00ea quebra a ponta, ningu\u00e9m mais vai querer esse produto. Se, ao escolher o tomate, o cliente amassa o vegetal, \u00e9 mais uma perda&#8221;, exemplifica Gomes.<\/p>\n<p>Em meio a tantas formas de desperd\u00edcio, a alta conta gerada pelas perdas n\u00e3o fica dilu\u00edda ao longo da cadeia. Segundo a Embrapa, agricultor e consumidor s\u00e3o os mais prejudicados. Isso acontece porque o investimento para produzir, manipular e transportar o alimento j\u00e1 foi feito. Antes do produto se perder, a rede varejista faz uma previs\u00e3o de perdas e repassa tanto ao pre\u00e7o pago ao produtor, quanto ao que \u00e9 cobrado do cliente. &#8220;O agricultor recebe menos e o consumidor paga mais. \u00c9 preciso rever esse processo, porque o varejo dilui o preju\u00edzo. Investir em produtividade tem significado tamb\u00e9m aumentar o volume do desperd\u00edcio. Quanto mais produzimos, mais jogamos fora. \u00c9 preciso pensar com mais seriedade em uma solu\u00e7\u00e3o para as perdas&#8221;, lamenta o pesquisador.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura possui uma regulamenta\u00e7\u00e3o que classifica os vegetais e estabelece regras para manter a qualidade, mas, na pr\u00e1tica, as normas n\u00e3o s\u00e3o cumpridas. &#8220;Governo e agentes do mercado precisam ser parceiros e fazer valer a lei&#8221;. Para o pesquisador, a mudan\u00e7a desse quadro passa pela qualifica\u00e7\u00e3o de todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde o trabalhador rural que colhe o alimento at\u00e9 os estoquistas e funcion\u00e1rios dos pontos de varejo.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio, no entanto, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria da rede varejista. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com outras entidades, faz todos os anos uma avalia\u00e7\u00e3o de perdas. A pesquisa mostrou que, em 2007, mais de 82% dos pontos de varejo pesquisados possu\u00edam departamentos espec\u00edficos para cuidar desse assunto e 75% deles reconheciam ter investido em solu\u00e7\u00f5es. O levantamento, feito todos os anos, busca identificar causas e avaliar o custo-benef\u00edcio para a implanta\u00e7\u00e3o de programas de preven\u00e7\u00e3o de perdas.<\/p>\n<p>Em 2007, o \u00edndice m\u00e9dio de desperd\u00edcio foi de 2,15% do total comercializado, desse volume 55% s\u00e3o produtos perec\u00edveis. Apesar de permanecer crescendo desde 2004, o ritmo de perdas no caso espec\u00edfico dos perec\u00edveis avan\u00e7ou apenas 0,2 ponto percentual ao final de tr\u00eas anos. O estudo da Abras chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de as perdas de perec\u00edveis terem reduzido em 2007, mas revela um aumento desse preju\u00edzo com causas desconhecidas. Isso dificulta a formula\u00e7\u00e3o de iniciativas para combater o problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Reportagem de D\u00e9bora Carvalho para a Revista Desafios. Ed. 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