{"id":1444,"date":"2009-11-26T14:12:08","date_gmt":"2009-11-26T12:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.funiber.org\/pt\/?p=1444"},"modified":"2009-11-26T14:12:08","modified_gmt":"2009-11-26T12:12:08","slug":"crise-alimentar-fracasso-anunciado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.funiber.blog\/pt\/meio-ambiente\/2009\/11\/26\/crise-alimentar-fracasso-anunciado","title":{"rendered":"Crise alimentar: Fracasso anunciado"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><a href=\"http:\/\/www.ecodebate.com.br\/2009\/11\/23\/crise-alimentar-fracasso-anunciado\/\">EcoDebate<\/a>, retirado de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=27612\">IHU On-line <\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<ul>\n<li>Crise alimentar e clim\u00e1tica<\/li>\n<li>Crise alimentar<\/li>\n<li>A fome \u00e9 obscena<\/li>\n<li>Por que tantos passam fome?<\/li>\n<li>Plantar o que, para qu\u00ea e para quem?<\/li>\n<li>A fome e o caso brasileiro<\/li>\n<\/ul>\n<p><!--more--><strong>Crise alimentar e clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Dois dos mais graves problemas do planeta \u2013 a crise alimentar e a crise clim\u00e1tica \u2013 n\u00e3o ser\u00e3o enfrentados pela comunidade pol\u00edtica internacional com a urg\u00eancia que exigem. A semana come\u00e7ou com not\u00edcias desalentadoras. Simultaneamente ao an\u00fancio do fracasso da C\u00fapula Mundial contra a Fome, anunciou-se o fracasso da Confer\u00eancia do Clima de Copenhague.<\/p>\n<p>Esvaziada, sem metas nem l\u00edderes dos pa\u00edses ricos, a C\u00fapula Mundial contra a Fome organizada nessa semana em Roma pela FAO \u00e9 um rotundo fracasso. Ainda mais, \u00e9 uma triste manifesta\u00e7\u00e3o de que o mundo deu as costas para o problema da fome. Ao mesmo tempo a reuni\u00e3o da Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica \u00c1sia-Pac\u00edfico (Apec), em Cingapura, anunciou o que j\u00e1 se previa: a Confer\u00eancia de Copenhague, um dos eventos mais aguardados do ano, \u201cflopou\u201d \u2013 palavra sonora para definir fiasco, como descreve o jornalista Cl\u00e1udio Angelo.<\/p>\n<p>A crise alimentar (1 bilh\u00e3o de pessoas passam fome) e a crise clim\u00e1tica (o planeta levado ao esgotamento) n\u00e3o tiveram a mesma sorte da crise econ\u00f4mica. Na oportunidade, o desfecho \u00e0 crise financeira \u2013 que pode retornar a qualquer momento \u2013 encontrou por parte das lideran\u00e7as pol\u00edticas mundiais uma resposta r\u00e1pida, \u00e1gil e c\u00e9lere: abriram-se os cofres dos Estados e o derrame de dinheiro p\u00fablico resgatou bancos e banqueiros do atoleiro.<\/p>\n<p>A neglig\u00eancia do mundo diante dos que passam fome e a passividade para com a lenta agonia do planeta em que os recursos se encontram no limite do suport\u00e1vel, deve-se ao fato de que os interesses econ\u00f4micos, do mercado, continuam subordinando a pol\u00edtica \u2013 a capacidade de respostas aos problemas coletivos. A economia faz tempo deixou de ser a \u201cserva\u201d da sociedade para se tornar a sua \u201csenhora\u201d.<\/p>\n<p>A fome no mundo e a crise ecol\u00f3gica n\u00e3o podem ser interpretadas desconectadas da economia. \u00c9 o \u201cmodo de produzir\u201d e o \u201cmodo de consumir\u201d da sociedade capitalista que explicam as crises alimentar e ecol\u00f3gica. Associadas a essas duas, poder-se-ia ainda acrescentar a crise energ\u00e9tica e a crise do trabalho. Essas crises manifestam algo mais grave, uma crise de modelo de desenvolvimento de tipo civilizacional.<\/p>\n<p><strong>Crise alimentar. A fome \u00e9 obscena<\/strong><\/p>\n<p>Novamente fracassou \u2013 o mesmo se deu em 2008 \u2013 a C\u00fapula Mundial contra a Fome ocorrida nessa semana em Roma. O texto evasivo da C\u00fapula n\u00e3o passa de uma \u201ccarta de boas inten\u00e7\u00f5es\u201d. Segundo Francisco Sarmento, da entidade ActionAid, \u201co encontro e a declara\u00e7\u00e3o final n\u00e3o passam de discursos vazios e velhos\u201d.<\/p>\n<p>O fracasso do mundo no combate \u00e0 fome desvenda uma hipocrisia: os Objetivos do Mil\u00eanio, a f\u00f3rmula-slogan com que os poderosos da terra tinham assumido o compromisso de diminuir radicalmente a fome no mundo, n\u00e3o passa de palavras ao vento. A verdade nua e crua \u00e9 que o mundo n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para o flagelo do 1 bilh\u00e3o que passam fome no mundo.<\/p>\n<p>A insensibilidade dos pa\u00edses ricos \u00e9 taxada como criminosa pelo diretor da Campanha pelas Metas do Mil\u00eanio, Salil Shetty: \u201cSempre digo que se voc\u00ea fizer uma promessa e n\u00e3o cumprir, \u00e9 quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e n\u00e3o cumprir, ent\u00e3o \u00e9 praticamente um crime\u201d. O mesmo pensa Jean Ziegler, ex-relator da ONU contra a Fome: \u201cA morte pela fome hoje n\u00e3o \u00e9 algo inevit\u00e1vel. \u00c9 um assassinato\u201d.<\/p>\n<p>Em julho desse ano, por ocasi\u00e3o da reuni\u00e3o do G-8, Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, afirmava \u201cque o tempo das palavras acabou\u201d e que se fazia necess\u00e1rio agir e com urg\u00eancia. Mas nada foi feito. O grito de dor e s\u00faplica por ajuda n\u00e3o foi ouvido pelos pa\u00edses ricos. Ainda pior, segundo o pr\u00f3prio Diouf, \u201choje s\u00e3o destinados \u00e0 agricultura s\u00f3 5% dos recursos, contra 3,6% de antes do G-8 de L\u2019Aquila\u201d.<\/p>\n<p>De nada adiantou a convocat\u00f3ria da vig\u00edlia em solidariedade aos desnutridos e a greve de fome de 24 hs de Jacques Diouf com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a C\u00fapula Mundial de Seguran\u00e7a Alimentar. A ambiciosa agenda da C\u00fapula de apresentar uma nova estrat\u00e9gia mundial para o campo e para os mais de 1 bilh\u00e3o de famintos virou p\u00f3. Os mais ricos sequer foram ao encontro.<\/p>\n<p>O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, preferiu ir \u00e0 China, onde junto ao seu colega presidente Hu Jintao, descartou a possibilidade de um acordo definitivo em Copenhague. A principal preocupa\u00e7\u00e3o da maior pot\u00eancia do mundo \u00e9 como preservar o seu modo de vida, de produ\u00e7\u00e3o e consumo. O problema da fome saiu da agenda das grandes pot\u00eancias faz tempo.<\/p>\n<p>A obscenidade da fome, entretanto, se torna ainda maior quando se sabe que:<\/p>\n<ol>\n<li>A fome mata 24 mil pessoas a cada dia \u2013 70% delas crian\u00e7as, afirmam Ongs;<\/li>\n<li>No mundo de hoje h\u00e1 mais comida do que em qualquer outro momento da hist\u00f3ria da humanidade;<\/li>\n<li>Temos 6,7 bilh\u00f5es de habitantes, e produzimos mais de 2 bilh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os, o que significa que produzimos quase um quilo de gr\u00e3os por pessoa e por dia no planeta, amplamente suficiente para alimentar a todos;<\/li>\n<li>Segundo a FAO o mundo precisaria de US$ 30 bilh\u00f5es por ano para lutar contra a fome, recursos que significam apenas uma fra\u00e7\u00e3o do US$ 1,1 trilh\u00e3o aprovado pelo G-20 para lidar com a recess\u00e3o mundial;<\/li>\n<li>65% dos famintos vivem em somente sete pa\u00edses;<\/li>\n<li>Nos \u00faltimos meses irromperam revoltas por causa da fome em 25 pa\u00edses;<\/li>\n<li>Os que sobrevivem \u00e0 fome carregam seq\u00fcelas para sempre. A fome mina as vidas e acaba com a capacidade produtiva, enfraquece o sistema imunol\u00f3gico, impede o trabalho e nega a esperan\u00e7a;<\/li>\n<li>No mesmo momento em que 1 bilh\u00e3o de pessoas passando fome, outro 1 bilh\u00e3o sofre de obesidade por excesso de consumo;<\/li>\n<li>Uma crian\u00e7a americana consome o equivalente a 50 crian\u00e7as africanas da regi\u00e3o subsaariana;<\/li>\n<li>Cerca de 200 milh\u00f5es de crian\u00e7as de pa\u00edses pobres tiveram seu desenvolvimento f\u00edsico afetado por n\u00e3o ter uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada, segundo o Unicef.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Por que tantos passam fome?<\/strong><\/p>\n<p>Muitos pensam que o problema da fome se deve ao excesso da popula\u00e7\u00e3o, de que n\u00e3o h\u00e1 alimentos para todos e se faz necess\u00e1rio o controle da natalidade. Essa tese n\u00e3o se justifica. A FAO, organismo da ONU dedicada \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 vinte anos afirma que o problema \u00e9 pol\u00edtico. A fome \u00e9 um problema, sobretudo, de acesso \u00e0 comida e n\u00e3o de disponibilidade de alimentos, ou seja, a crise alimentar n\u00e3o \u00e9 uma crise fundamentalmente de produ\u00e7\u00e3o, mas de distribui\u00e7\u00e3o. O problema est\u00e1 no mercado.<\/p>\n<p>\u201cHoje produzimos alimentos demais. Muito mais do que seria necess\u00e1rio para alimentar a popula\u00e7\u00e3o atual, sendo que ainda nem estamos perto de esgotar o potencial da alimenta\u00e7\u00e3o direta. E, para pequenos produtores rurais, dobrar a produ\u00e7\u00e3o custa pouco\u201d, argumenta Benedikt Haerlin, da funda\u00e7\u00e3o Zukunftsstiftung Landwirtschaft, que apoia projetos ecol\u00f3gicos e sociais no setor agr\u00edcola.\u00a0 \u201cA ideia de que somos cada vez mais numerosos e por isso precisamos produzir mais \u00e9 equivocada. Precisamos \u00e9 produzir melhor. Menos da metade dos gr\u00e3os hoje em dia \u00e9 destinada \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, enquanto a maior parte serve para fabricar ra\u00e7\u00f5es animais, biocombust\u00edveis e outros produtos industriais\u201d, explica Benedikt Haerlin.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 de acesso \u00e0 comida, diz David Dawe, Ph.D. em Economia pela Universidade de Harvard. Segundo ele, \u201ca fome crescente \u00e9 um problema de acesso \u00e0 comida, e n\u00e3o de disponibilidade de alimentos\u201d. \u201cSe temos 1 bilh\u00e3o de pessoas que passam fome por n\u00e3o ter dinheiro para comprar comida e outro bilh\u00e3o de clinicamente obesos, alguma coisa est\u00e1 obviamente errada\u201d, alerta Janice Jiggings, do Instituto Internacional para Meio Ambiente e Desenvolvimento em Londres.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para o aumento da fome est\u00e1 ainda associada, entre outros fatores, a crise econ\u00f4mica (leia-se especula\u00e7\u00e3o das grandes corpora\u00e7\u00f5es com os alimentos que chamam de commodities), \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que provocam em alguns momentos inunda\u00e7\u00f5es e, em outros, secas terr\u00edveis, e ao aumento das controvertidas planta\u00e7\u00f5es para produzir combust\u00edvel, que rouba \u00e1reas da agricultura de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>A crise alimentar encerra ainda outro paradoxo: ela se d\u00e1 num contexto de extrema falta e abundante desperd\u00edcio. J\u00e1 hoje existe mais comida que o necess\u00e1rio garante o diretor-executivo do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, e sem cultivar um quil\u00f4metro quadrado que seja a mais, seria poss\u00edvel alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o do planeta. Segundo ele, \u201cao mesmo tempo em que temos uma crise de alimentos, jogamos fora 30% a 40% dos alimentos produzidos. Ao inv\u00e9s de nos perguntarmos onde podemos encontrar mais terra para cultivar ou se ser\u00e1 preciso plantar na Lua, dever\u00edamos olhar para o nosso quintal. Temos que encontrar est\u00edmulos financeiros para evitar que se jogue comida fora\u201d.<\/p>\n<p>A crise alimentar est\u00e1 tamb\u00e9m associado ao escandaloso subsidio concedido aos fazendeiros dos pa\u00edses ricos. Existe muito dinheiro para subsidiar a agricultura dos que j\u00e1 tem muito e pouco, ou quase nada, para os pa\u00edses pobres que mais precisam.<\/p>\n<p>Vandana Shiva, a ativista e intelectual indiana, defende a tese de que \u201cs\u00e3o os m\u00e9todos de desenvolvimento equivocados que causam a fome de centenas de milh\u00f5es de pessoas\u201d. Segundo ela, \u201choje, nos dizem que um bilh\u00e3o de pessoas passam fome. Eu acho que se deveria perguntar o porqu\u00ea. O porqu\u00ea \u00e9 explicado h\u00e1 muitos anos pelos especialistas, economistas e climatologistas como eu, que a FAO n\u00e3o ouviu. H\u00e1 estudos qualificados que defendem que as monoculturas tornam a agricultura mais vulner\u00e1vel, e que o uso de fertilizantes qu\u00edmicos contribui para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o livre com\u00e9rcio e as pol\u00edticas neoliberais favoreceram e incrementaram o agroneg\u00f3cio, em detrimento da agricultura familiar, da reforma agr\u00e1ria, da produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A ativista d\u00e1 o exemplo do seu pa\u00eds, a \u00cdndia: \u201cA globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o significou o livre com\u00e9rcio de comida de alguns pa\u00edses para outros. Pelo contr\u00e1rio, ela esmaga os pa\u00edses que podem produzi-la. Em troca, um bilh\u00e3o de pessoas passa fome. Em um mundo que produz mais comida do que nunca, o consumo per capita, na \u00cdndia, caiu de 270 quilos por ano para 150 quilos, menos do que na grande crise alimentar de Bengala [1945]. Hoje, 70% das crian\u00e7as est\u00e3o desnutridos, e as mulheres est\u00e3o an\u00eamicas porque plantam sementes sem ferro\u201d.<\/p>\n<p>Vandana Shiva alerta para o mito da Revolu\u00e7\u00e3o Verde, o que inclui os transg\u00eanicos:\u00a0 \u201cHoje, falar de Revolu\u00e7\u00e3o Verde como solu\u00e7\u00e3o \u00e9 absurdo. A Revolu\u00e7\u00e3o Verde s\u00f3 produziu mais arroz e trigo porque houve mais irriga\u00e7\u00e3o. O ruim \u00e9 que s\u00e3o usados pesticidas para sementes transg\u00eanicas que n\u00e3o s\u00e3o afetadas por esses produtos. E as fam\u00edlias se endividam ao comprar esses produtos. Hipotecam at\u00e9 as terras. Hoje, os que passam fome s\u00e3o os produtores de comida, porque n\u00e3o podem comer o que semearam. A ind\u00fastria qu\u00edmica, a revolu\u00e7\u00e3o verde e os transg\u00eanicos baseiam-se na morte. Vendem-na como milagrosa, mas quando se substitui ci\u00eancia por mitologia, nunca se sabe se os colegas cientistas ir\u00e3o mentir. E a Revolu\u00e7\u00e3o Verde \u00e9 um mito\u201d.<\/p>\n<p>A \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d, 40 anos depois, mostra seus limites econ\u00f4micos, ambientais e sociais. O modelo agr\u00edcola dominante no mundo, o agroneg\u00f3cio, \u00e9 destruidor da natureza, assentado no monocultivo, concentrador de recursos, protagonizado pelo grande capital, gera um reduzido n\u00famero de postos de trabalho e atende fundamentalmente interesses transnacionais, ao mesmo tempo em que persegue objetivos mercadol\u00f3gicos. Os fertilizantes qu\u00edmicos e os defensivos agr\u00edcolas, causam estragos ambientais muitos deles irrevers\u00edveis. Insistir nesse modelo como resposta ao problema da fome \u00e9 uma mentira.<\/p>\n<p><strong>Plantar o que, para qu\u00ea e para quem?<\/strong><\/p>\n<p>Em um instigante artigo, o ambientalista e jornalista Washington Novaes, pergunta: \u201cQual \u00e9 hoje a quest\u00e3o central, mais grave, no mundo? A popula\u00e7\u00e3o de 6,8 bilh\u00f5es, que pode chegar a 9 bilh\u00f5es em 2050 (ou a 12 bilh\u00f5es, segundo dem\u00f3grafos mais pessimistas)? O consumo de recursos e servi\u00e7os naturais, j\u00e1 quase 30% al\u00e9m da capacidade de reposi\u00e7\u00e3o do planeta (e que tende a crescer mais)? A fome (mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas) e a pobreza (cerca de 40% da humanidade)\u201d?<\/p>\n<p>O m\u00e9rito da pergunta est\u00e1 no fato de que ao contr\u00e1rio de isolar os problemas \u00e9 necess\u00e1rio conect\u00e1-los. A crise alimentar est\u00e1 entrela\u00e7ada \u00e0 crise clim\u00e1tica. No artigo, Washington de Novaes chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que na \u00c1frica Subsaariana, hoje com cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas, 200 milh\u00f5es j\u00e1 passam fome. Segundo ele, \u201ca produtividade agr\u00edcola ali, de 1,2 tonelada por hectare, \u00e9 menos de metade da m\u00e9dia nos demais pa\u00edses pobres, de 3 toneladas por hectare. E s\u00f3 3% das terras s\u00e3o irrigadas; 80% das propriedades rurais t\u00eam menos de 2 hectares. Mas a moeda tem outra face: os pobres africanos (como os asi\u00e1ticos) emitem 0,1 tonelada de di\u00f3xido de carbono por ano, enquanto o norte-americano m\u00e9dio emite cerca de 20 toneladas\u201d.<\/p>\n<p>Esse fato permite a vincula\u00e7\u00e3o com o tema da crise ecol\u00f3gica e Washington Novaes faz men\u00e7\u00e3o a uma discuss\u00e3o promovida pela revista New Scientist com alguns pensadores respeitados. O ambientalista cita, entre eles, a tese de Fred Pearce, para quem o problema n\u00e3o \u00e9 de popula\u00e7\u00e3o, mas consumo excessivo. Jesse Aubels, da Universidade Rockefeller, acredita que a solu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 de tecnologias que permitam produzir mais em menos terra, gerar mais energia com equipamentos mais eficientes e n\u00e3o poluentes, replantar florestas, mudar h\u00e1bitos de consumo (uma dieta vegetariana, diz ele, pode ser viabilizada com metade da \u00e1rea exigida por uma alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 base de carnes). Na sua opini\u00e3o, novas tecnologias permitiriam ao planeta ter at\u00e9 20 bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Fred Pearce, autor de Peoplequake (terremoto populacional), entende que, mesmo se se estabilizar a popula\u00e7\u00e3o (com a queda da taxa de fertilidade das mulheres), o consumo continuar\u00e1 sendo a quest\u00e3o crucial, tanto pelo lado da sobrecarga em mat\u00e9ria de recursos e servi\u00e7os naturais como pelo \u00e2ngulo das emiss\u00f5es de poluentes que afetam o clima, intensificadas pelo alto consumo. Hoje, lembra ele, os 500 milh\u00f5es de pessoas mais ricas (7% da popula\u00e7\u00e3o mundial) respondem por 50% das emiss\u00f5es; os 50% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o (3,4 bilh\u00f5es) respondem por 7% das emiss\u00f5es totais. Um norte-americano emite tanto quanto toda a popula\u00e7\u00e3o de uma pequena cidade africana.<\/p>\n<p>O modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo dos pa\u00edses ricos \u00e9 insustent\u00e1vel. A press\u00e3o que colocam sobre o planeta para preservar o seu modo de vida \u00e9 diretamente respons\u00e1vel pelo que falta aos outros.\u00a0 A quest\u00e3o crucial a ser debatida \u00e9 plantar o que, para qu\u00ea e para quem.<\/p>\n<p><strong>A fome e o caso brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Numa Confer\u00eancia em que os governantes dos pa\u00edses mais ricos n\u00e3o foram, o Brasil sobressaiu como modelo a ser perseguido, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o do programa de transfer\u00eancia de renda, o Bolsa Fam\u00edlia. De acordo com um ranking elaborado pela ONG anti-pobreza Action Aid, o Brasil \u00e9 l\u00edder no combate \u00e0 fome entre os emergentes.<\/p>\n<p>O presidente Lula esteve na C\u00fapula Mundial sobre Seguran\u00e7a Alimentar da ONU e afirmou que a fome \u201c\u00e9 a mais tem\u00edvel arma de destrui\u00e7\u00e3o em massa que existe no nosso planeta\u201d, acusou os pa\u00edses ricos ao dizer que \u201cmetade dos recursos usados para salvar bancos erradicaria fome no mundo\u201d e fez uma veemente defesa do programa Bolsa Fam\u00edlia \u2013\u00a0 respons\u00e1vel, segundo ele, por retirar 20,4 milh\u00f5es da pobreza e reduzir em 62% a desnutri\u00e7\u00e3o infantil \u2013 e criticou aqueles que criticam o programa: \u201cQualquer esfor\u00e7o para socorr\u00ea-los da pobreza, da exclus\u00e3o e da desigualdade era visto, e ainda \u00e9, por alguns, como assistencialismo ou populismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da fome, acho que o Primeiro Mundo falhou. O Brasil, na verdade, se tornou um exemplo a ser seguido, tendo criado um modelo de transfer\u00eancia de renda, o do Bolsa Fam\u00edlia, que poderia, e ao meu ver deveria, ser universalizado via ONU, com a transfer\u00eancia de recursos dos pa\u00edses ricos para os pa\u00edses mais pobres com o objetivo prec\u00edpuo de erradicar a inseguran\u00e7a alimentar grave. N\u00e3o vejo outra posi\u00e7\u00e3o eticamente sustent\u00e1vel tendo em vista a dimens\u00e3o do problema. Acho, realmente, que o mundo tem se omitido diante da trag\u00e9dia da fome\u201d, afirma o cineasta Jos\u00e9 Padilha, vencedor do Urso de Ouro com o filme Tropa de Elite (2007), e diretor do filme Garapa, produzido neste ano, e que discute o problema da fome.<\/p>\n<p>Segundo ele, \u201c\u00e9 eticamente inadmiss\u00edvel que algu\u00e9m, no grupo dos beneficiados hist\u00f3ricos deste pa\u00eds, olhe para os miser\u00e1veis que n\u00e3o t\u00eam o que comer e diga que os R$ 58 que o governo d\u00e1 a ele s\u00e3o uma pol\u00edtica errada\u201d.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do governo Lula de combate a fome \u00e9 hoje vendida pela pr\u00f3pria FAO como um programa ser seguido por outros pa\u00edses. \u201cNo caso brasileiro, ao contr\u00e1rio, sucessivas decis\u00f5es de governo carimbadas por alguns como assistencialistas foram corajosamente al\u00e7adas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de Estado nos \u00faltimos sete anos. Nascia assim, silenciosamente, uma engrenagem de fomento \u00e0 demanda popular que se antecipou ao \u2018mundo keynesiano\u2019 legitimado pela explos\u00e3o da bolha imobili\u00e1ria nos EUA\u201d, escreve Jos\u00e9 Graziano da Silva, representante regional da FAO para Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os e progresso no combate \u00e0 fome no pa\u00eds, cabe sempre alertar que o Brasil ainda n\u00e3o acabou com o problema e isso \u00e9 ainda mais vergonhoso quando se sabe que o pa\u00eds est\u00e1 entre os maiores exportadores de alimento do mundo e entre os 10 pa\u00edses que mais desperdi\u00e7am comida no mundo.<\/p>\n<p>Em que pese o fato do investimento em tecnologia de ponta nas \u00faltimas d\u00e9cadas ter colocado o Brasil entre os pa\u00edses mais competitivos do agroneg\u00f3cio no mercado internacional, o mesmo n\u00e3o foi suficiente para acabar com um problema b\u00e1sico: o desperd\u00edcio de alimentos ao longo da cadeia produtiva. Sobre o desperd\u00edcio, h\u00e1 outra situa\u00e7\u00e3o incomoda manifestada pelo economista italiano Bruno Parmentier. Pergunta ele sobre o Brasil: \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que cause alegria em seu pa\u00eds, por exemplo, a abertura de restaurantes em que se paga um pre\u00e7o fixo ao entrar e a comida \u00e9 ilimitada? Isso \u00e9 provavelmente algo que tem suas ra\u00edzes na cultura brasileira, mas que n\u00e3o corresponde de modo algum \u00e0s exig\u00eancias e aos desafios do s\u00e9culo 21\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EcoDebate, retirado de IHU On-line Crise alimentar e clim\u00e1tica Crise alimentar A fome \u00e9 obscena Por que tantos passam fome? Plantar o que, para qu\u00ea e para quem? 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