Algoritmos e inteligência artificial no trabalho: desafios e oportunidades na Europa

A expansão silenciosa da inteligência artificial nas empresas

Na Europa, a presença de algoritmos e inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho já não é uma promessa para o futuro, mas uma realidade consolidada. De acordo com dados recentes citados pela Euronews, um em cada quatro locais de trabalho europeus utiliza sistemas automatizados que influenciam diretamente a vida profissional das pessoas. Isso significa que decisões que antes eram tomadas exclusivamente por seres humanos agora se baseiam, parcial ou totalmente, em modelos algorítmicos capazes de processar grandes volumes de dados em pouco tempo.

Embora o conteúdo disponível não detalhe os setores específicos nem os tipos de decisões automatizadas, a tendência corresponde ao que se observa no mercado europeu: uso crescente da IA para organizar turnos, avaliar o desempenho, filtrar candidaturas ou mesmo sugerir níveis salariais. A adoção não é homogênea entre países e empresas, mas o dado de 25% mostra que a automatização da gestão laboral deixou de ser marginal.

Como os algoritmos influenciam a vida profissional cotidiana

O impacto da IA no trabalho não se limita a tarefas técnicas ou repetitivas. Cada vez mais, os algoritmos participam em processos que afetam diretamente a organização do tempo, as condições de trabalho e as oportunidades de desenvolvimento profissional. Em muitos locais de trabalho europeus, os sistemas automatizados intervêm no planeamento de horários, na atribuição de tarefas ou na monitorização de objetivos, o que configura um novo quadro de relações entre pessoas, dados e decisões.

As informações disponíveis não especificam que tipo de algoritmos são utilizados nem com que critérios são treinados, mas a experiência recolhida em estudos da Comissão Europeia e de organismos como a Organização Internacional do Trabalho aponta para uma utilização crescente de ferramentas de análise preditiva e aprendizagem automática. Essas tecnologias podem trazer eficiência e coerência na tomada de decisões, mas também levantam questões sobre transparência, preconceitos e possibilidade de recurso quando uma decisão automatizada é injusta ou errada.

Benefícios potenciais e riscos emergentes

A introdução da IA e dos algoritmos na gestão do trabalho está associada a várias vantagens potenciais. Por um lado, permite otimizar processos, reduzir tempos administrativos e libertar as pessoas de tarefas rotineiras.

Por outro lado, facilita a análise de grandes bases de dados laborais, o que poderia melhorar o planejamento de recursos humanos, a detecção precoce de riscos psicossociais ou a identificação de necessidades de formação. No entanto, o próprio fato de que um em cada quatro locais de trabalho na Europa já seja influenciado por algoritmos obriga a olhar também para os riscos.

Várias pesquisas acadêmicas, reunidas em revisões de organismos europeus e em meios especializados como Euronews Next, alertam para possíveis efeitos adversos quando a automação é implementada sem garantias claras. Entre eles estão decisões opacas difíceis de explicar, discriminações indiretas por vieses nos dados de treinamento, aumento da pressão por produtividade e uma sensação de vigilância constante que pode afetar o bem-estar psicológico.

As informações disponíveis não especificam o grau de supervisão humana desses sistemas nos locais de trabalho europeus, mas a literatura científica e as recomendações regulatórias insistem na necessidade de manter a “decisão humana significativa” em processos que afetam direitos fundamentais como emprego, salário ou demissão.

O papel da regulamentação e da cultura organizacional

A expansão da IA no trabalho na Europa ocorre em paralelo ao desenvolvimento de marcos normativos específicos. Embora o texto consultado não entre em detalhes regulatórios, o debate europeu sobre o uso responsável de algoritmos em recursos humanos é muito ativo, com iniciativas voltadas para exigir transparência, avaliações de impacto e mecanismos de reclamação para os trabalhadores.

Além das leis, a forma como cada empresa integra essas tecnologias é decisiva. A cultura organizacional, o grau de diálogo social e a participação dos trabalhadores e seus representantes influenciam se a IA é percebida como uma ferramenta de apoio ou como uma ameaça.

A comunicação clara sobre quais decisões são automatizadas, com quais dados e sob quais controles, é um elemento-chave para gerar confiança e evitar conflitos. Aqui, a formação de gestores, responsáveis por recursos humanos e profissionais da transformação digital é essencial para alinhar inovação tecnológica, ética e direitos trabalhistas.

Formação avançada para liderar a transformação digital no trabalho

O fato de um em cada quatro locais de trabalho europeus já utilizar algoritmos e inteligência artificial para decisões que afetam a vida profissional evidencia uma transição estrutural que requer perfis capazes de compreender tanto a dimensão tecnológica quanto as implicações organizacionais e humanas. Nesse contexto, programas acadêmicos como o Mestrado em Transformação Digital promovido pela FUNIBER oferecem uma oportunidade para que profissionais de diferentes setores se formem na integração estratégica da IA nas empresas, incorporando critérios de ética, gestão da mudança e respeito aos direitos trabalhistas. Desenvolver competências avançadas em transformação digital não só melhora a empregabilidade, como contribui para que a adoção de algoritmos no trabalho seja feita de forma responsável, transparente e orientada para o bem-estar das pessoas.

Fonte: Elaboração própria a partir de conteúdo disponível em Euronews Next.