Um novo ciclo de decisão do consumidor
A forma como os consumidores tomam decisões mudou sem grandes alarde, mas de forma profunda. A pesquisa já não é um momento único que antecede a compra, mas sim um processo distribuído por várias etapas e ferramentas. As pessoas combinam motores de busca tradicionais com sistemas de inteligência artificial generativa e esperam algo muito concreto desse ecossistema: clareza. Não querem mais dados, querem a explicação mais fiável e fácil de compreender.
Hoje em dia, os utilizadores continuam a recorrer ao Google para conhecer o panorama geral, comparar alternativas e validar a credibilidade das marcas. Mas é cada vez mais frequente que, em paralelo, utilizem ferramentas como o ChatGPT, o Perplexity ou o Gemini para sintetizar a informação, ordenar prioridades e formar uma opinião. Estas duas experiências não se substituem, complementam-se e moldam em conjunto a perceção do consumidor, mesmo quando não há cliques visíveis para os sites das marcas.
Do SEO ao GEO: dois momentos da mesma decisão
Este novo contexto deu origem a uma distinção fundamental entre o posicionamento SEO tradicional e o chamado GEO, associado à pesquisa generativa. Não se trata de disciplinas opostas, mas sim de dois momentos do mesmo ciclo de decisão. O SEO clássico continua a cumprir a função de promover a descoberta e direcionar o tráfego para páginas específicas, onde a marca apresenta a sua oferta, os seus argumentos e as suas provas de autoridade.
O GEO, por outro lado, dá prioridade a outra lógica. Em vez de se centrar na página de destino, concentra-se nas ideias, explicações e quadros conceptuais que os modelos de IA extraem, reorganizam e reutilizam em múltiplas respostas. Enquanto o motor de busca tradicional valoriza a visibilidade e o clique, a pesquisa generativa valoriza a clareza reutilizável. Uma disciplina ganha posições; a outra ganha menções e citações no âmbito de explicações mais amplas que orientam a decisão do comprador.
A tensão entre visibilidade e conversa
Esta mudança gera uma tensão evidente para as marcas. É possível ocupar a primeira posição num motor de busca e, mesmo assim, ficar de fora da conversa que realmente influencia a decisão. Quando uma IA resume um mercado, explica uma categoria ou compara soluções e uma marca não aparece nessa narrativa, a sua capacidade de influência reduz-se drasticamente. Estar bem posicionado já não garante estar bem representado nas explicações que o consumidor ouve ou lê.
Clareza e autoridade na era da síntese automática
Quando uma marca não pode ser resumida com precisão, perde autoridade. Se a sua proposta de valor depender de explicações excessivamente longas ou de uma gíria ambígua que apenas um grupo restrito compreende, tanto os consumidores como as inteligências artificiais terão dificuldade em confiar nela. A clareza torna-se, assim, um ativo estratégico que reduz a perceção de risco e acelera as decisões.
Dos rankings ao quadro de referência
Esta dinâmica é particularmente evidente em setores complexos como o B2B SaaS, onde os compradores alternam entre consultas comparativas e de preço nos motores de busca tradicionais e perguntas mais abertas a sistemas de IA que procuram contexto, estratégia e critérios de avaliação. Neste contexto, a oportunidade não reside em responder de forma dispersa a cada pergunta possível, mas sim em construir uma fonte de verdade que articule todo o percurso decisório a partir de uma narrativa única e consistente.
Formação em gestão para liderar o novo cenário digital
Integrar SEO e GEO, conceber narrativas claras e construir fontes de informação fiáveis exige uma visão estratégica que ligue o marketing, a comunicação e a transformação digital. Para os profissionais que procuram liderar este novo cenário, programas como o Mestrado em Transformação Digital da FUNIBER oferecem um quadro académico para compreender como a inteligência artificial reorganiza os processos de decisão e como alinhar conteúdos, processos e cultura organizacional com estas novas dinâmicas.
Fonte: Elaboração própria com base em PuroMarketing e recursos da FUNIBER
