A obesidade como desafio global de saúde pública
A obesidade consolidou-se como um dos principais problemas de saúde pública a nível mundial, com impacto direto no aparecimento de doenças crónicas, na qualidade de vida e nos sistemas de saúde. Neste contexto, os tratamentos farmacológicos para o controlo de peso ganharam relevância nos últimos anos, entre eles os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagão tipo 1, conhecidos como agonistas GLP-1. No entanto, o seu uso levanta questões sobre segurança, acesso equitativo e relevância clínica, o que motivou a publicação de novas diretrizes pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que são agonistas do receptor GLP-1
Os agonistas do receptor GLP-1 são medicamentos que imitam a ação de uma hormona intestinal envolvida na regulação do apetite e da glicose. Embora o texto de referência não detalhe os seus mecanismos, sabe-se por fontes científicas externas que estes fármacos podem favorecer a perda de peso ao aumentar a sensação de saciedade e modular a resposta metabólica. O seu uso se disseminou inicialmente no tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, no controle da obesidade, o que gerou um rápido crescimento da demanda e um intenso debate clínico e ético sobre o seu uso em diferentes grupos populacionais.
O novo guia mundial da OMS sobre o uso do GLP-1
A OMS publicou diretrizes globais sobre o uso de agonistas do receptor GLP-1 para tratar a obesidade, com o objetivo de orientar os países na tomada de decisões baseadas em evidências. Embora o conteúdo detalhado dessas recomendações não esteja incluído no texto fornecido, o fato de a OMS emitir um guia específico indica a necessidade de um quadro comum para avaliar benefícios, riscos e prioridades em saúde pública. Essas diretrizes fazem parte de um esforço mais amplo da organização para abordar questões prioritárias de saúde de forma coordenada, conforme refletido na sua secção de temas de saúde e nas suas campanhas globais.
Implicações para os sistemas de saúde e a equidade
A introdução de agonistas do GLP-1 para o tratamento da obesidade não é apenas uma questão clínica, mas também de organização dos sistemas de saúde e de equidade no acesso. A OMS, por meio de seus escritórios regionais na África, Américas, Europa, Mediterrâneo Oriental e Pacífico Ocidental, busca que as políticas nacionais levem em consideração as capacidades locais, a carga da doença e os recursos disponíveis. Isso implica refletir sobre quem deve ter prioridade no acesso, como integrar esses medicamentos com intervenções não farmacológicas e como evitar o agravamento das desigualdades entre os países e dentro deles. O guia mundial oferece um ponto de referência para que os responsáveis pelas políticas adaptem as decisões aos seus contextos, mantendo a coerência com os princípios da saúde pública internacional.
Desafios éticos e de uso responsável
O uso de agonistas GLP-1 na obesidade levanta desafios éticos que vão além da eficácia clínica. A OMS, ao emitir diretrizes globais, sublinha a importância de evitar a medicalização excessiva do peso corporal e de não substituir intervenções baseadas em alimentação saudável, atividade física e ambientes que favoreçam estilos de vida saudáveis. As recomendações também visam prevenir o uso inadequado, especialmente em contextos em que esses medicamentos podem ser usados para fins estéticos ou sem uma avaliação médica adequada. Organismos como a OMS e outras instituições de referência, como os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA ou a Clínica Mayo, insistem que qualquer tratamento farmacológico deve ser enquadrado numa estratégia integral de gestão de peso e prevenção de doenças crónicas.
Formação avançada para enfrentar a complexidade do tratamento da obesidade
O surgimento de diretrizes globais sobre o uso de agonistas GLP-1 para tratar a obesidade evidencia que o manejo dessa doença requer profissionais capazes de integrar evidências científicas, critérios éticos e visão de saúde pública. Para aqueles que desejam aprofundar-se nessas áreas, o Mestrado em Nutrição e Biotecnologia Alimentar oferecido pela FUNIBER oferece formação avançada em nutrição, desenvolvimento de novos produtos e avaliação de intervenções, o que permite analisar criticamente o papel de medicamentos como os agonistas GLP-1 dentro de estratégias mais amplas de prevenção e tratamento da obesidade.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS). «A OMS publica diretrizes globais sobre o uso de agonistas do receptor GLP-1 para tratar a obesidade». Disponível em: https://www.who.int/es/news/item/01-12-2025-who-issues-global-guideline-on-the-use-of-glp-1-medicines-in-treating-obesity
